Entre ser e vir a ser

Os anos de pausa dos pincéis renderam um portifólio com um monte de desenhos.

São pastéis bem executados, mas não os fiz com a intenção de serem obras completas em si. Por muito tempo eu utilizei essa técnica para fazer esboços mais bem acabados como base para futuras telas à óleo, principalmente no que diz respeito à composição e arranjo tonal. Com a escassez de tempo livre e espaço, acabaram sendo minha única produção artística daquele período.

  O problema de ter tantos desenhos nesse limbo entre ser um esboço e ser um desenho “maduro”, é que eles deixam uma sensação de incompletude difícil de ser resolvida, por que as ideias acabaram evoluindo e se diversificando sem nenhuma execução concreta, e hoje, na hora de escolher algo para finalizar, seja em tela ou em papel, acabam eleitos os desenhos mais recentes (isso quando eu não resolvo criar algo do zero).

Eu sei que esse limite a que estou me referindo é muito subjetivo e pessoal, um critério estabelecido por mim na minha relação com meu trabalho. Mas convenhamos pelo menos que eu não faria uma exposição com desenhos de tamanho A4…

Como mencionei na postagem sobre meu processo criativo, agora eu tenho um caderno com folhas de papel canson para reunir os “desenhos limbo” em técnicas mais simples. A idéia era materializar as minhas ideias de maneira mais rápida e prática, sem passar por esse dilema, mas aí está: outra vez estou fazendo versões menores do que poderiam ser obras completas se eu me esmerasse mais na técnica e utilizasse um tamanho maior. Apenas mudei o material.

Parece que vou ter que aceitar que faz parte do meu processo criativo desenhar duas vezes a mesma coisa, o importante é que as ideias saiam da minha cabeça e tomem forma para que surjam cada vez mais delas. É o que está acontecendo neste exato momento. Graças a Deus.

PS: Pelo menos 3 desses desenhos antigos estão tendo seu momento de glória neste post. Meus novos “favoritos-a-finalização” ficam para próxima.

Anúncios